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em Folhas Caídas e Iluminadas num Luar de Outono...

mudem-me os Deuses os Sonhos - espero que não! - mas não o Dom de Sonhar…

em Folhas Caídas e Iluminadas num Luar de Outono...

mudem-me os Deuses os Sonhos - espero que não! - mas não o Dom de Sonhar…

21.Jun.17

As minhas leituras...

«Diz-me o que lês e eu dir-te-ei quem és», é verdade; mas, conhecer-te-ia melhor, se me dissesses o que relês…

     A leitura é também um caminho que percorro na minha vida, para poder aproximar-me de mim próprio… Eu sei bem que existem outros… E também sinto que a própria natureza é o caminho mais original, e o mais belo de todos!

     Pois quem melhor me pode ensinar, que as minhas lutas no meu dia-a-dia são fruto da própria essência da vida; que a discórdia que há em mim é a luta perpétua entre as minhas vontades, por vezes contraditórias, dos meus desejos intensos, das minhas trágicas desilusões, e a própria natureza, que é a fonte de toda a intensa diversidade que existe neste mundo em que habito…

     E quem mais podia mostrar-me, num dia escuro e tempestuoso, o quanto me sinto assustado e frágil! E no entanto, quando atentamente oiço a sua suave e tranquila voz, quando vejo os seus gestos calmos, e quando sinto terna e maternalmente os seus braços à volta do meu corpo, não me sinto nem frágil nem fraco, mas forte e cheio de vida! Pois a natureza não é a minha própria mãe? E como seu filho que sou, tudo o que a minha querida mãe deseja para mim, é que eu, seu filho, seja livre, belo e forte! Pois o seu amor infinito, assim o exige!

     Hoje, durante a tarde, a minha amiga Hannah e eu estávamos sentados, sentindo na palma das nossas mãos a erva fresca e viçosa, enquanto conversávamos acerca de vários assuntos… Sentíamos nos nossos rostos a frescura de um dia agradável de primavera, naquele grande jardim que nos misturava, e envolvia-nos por todos os lados, e que tinha feito de nós seus belos e desejados prisioneiros…

     – Sabes que sinto uma grande alegria, Hannah, quando leio e sinto que encontrei mais um bom livro! Nesse momento, fica em mim a sensação de que descobri mais um precioso tesouro! No entanto, minha amiga, quando regresso a uma das minhas histórias preferidas… Ao saber que irei estar mais uma vez junto daquelas personagens intrigantes, e naqueles lugares já conhecidos… Que mais uma vez irei entrar, e fazer parte das suas vontades, desejos e paixões… Que irei viver também os seus amores desesperados, e tantos angustiantes sofrimentos… Nesses momentos, Hannah, que me importa o que acontece no mundo, minha amiga…

    – Mas o mundo não para, meu amigo… E assim perderás muitas outras histórias… E o mundo é feito de histórias, meu amigo…

     – Acredito no que dizes, Hannah! Mas o mundo é também feito de escolhas… E já não sinto tanta vontade de partilhar as aventuras de outros… Agora, minha amiga, também tenho de viver e de construir a minha própria aventura! Agora, Hannah, para ler um livro desconhecido, a simples curiosidade já não me basta! Nem as capas bonitas e floridas… E as sinopses dramáticas, minha amiga, já não me comovem assim tanto…

     – Então voltas, meu amigo, aos teus encantados refúgios…

    – É uma escolha feita com todo o meu coração, Hannah! Agora, sinto que apenas preciso do que conheço! Contudo, reconheço que esta minha escolha, Hannah, tem muito de instinto…

     – Acho que ainda tens muito a descobrir, meu amigo…

   – Sei disso, Hannah! Mas quando regresso a um dos meus refúgios, minha amiga, sinto também que regresso a mim próprio… Quando leio um livro já conhecido, é como se estivesse também a reler-me… É também muito como estar junto a ti, Hannah! Por mais vezes que esteja contigo, tens sempre algo mais a contar-me, a mostrar-me, Hannah… É um incessante redescobrimento, e muito misterioso…  

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